III Seminário Brasileiro de Museologia – SEBRAMUS

Tabela síntese com as propostas de Grupos de Trabalho

 

GT

Título

Coordenadores

Sinopse

GT 01

Memória, patrimônio e processos museológicos comunitários entre povos indígenas no Brasil e na América Latina.

Alexandre Gomes - Doutorando em Antropologia - UFPE

 

Eliete Pereira - pós-doutoranda. - Museu de Arqueologia e Etnologia (USP)

Nos últimos anos os povos originários nas Américas vêm atuando em diversas iniciativas que correspondem à pesquisa e registro das suas memórias e à patrimonialização e à salvaguarda das suas referências culturais. O advento de museus indígenas, museus tribais e/ou museus étnicos de caráter comunitário, nascidos de processos educacionais e de mobilização política destes povos, bem como de centros de documentação e casas de culturas em seus territórios, indicam que a preocupação destas coletividades com a construção social da memória é uma demanda política do/no presente. Inúmeras questões surgem com o envolvimento das comunidades indígenas em projetos museológicos de construção de espaços específicos que representem as suas culturas em primeira pessoa e busquem ressignificar seus ritos, conhecimentos e memórias, ao narrar sua história em seus próprios termos. Neste sentido, este GT convida pesquisadores indígenas e não indígenas para discutir algumas dessas questões: a relação entre memórias e mobilizações políticas, os efeitos da patrimonialização dessas culturas; o modo pelo qual essas experiências traduzem seus repertórios culturais e comunicam as suas especificidades, reveladoras de suas "cosmopolíticas", seus modos ecológicos e relacionais de interação com os humanos e extra-humanos (animais, plantas, espíritos, objetos, etc); a relação com pesquisadores, escolas indígenas e associativismo e, finalmente, a partir da análise dessas experiências, quais seriam as suas contribuições para uma reflexão no campo museológico e das ciências humanas e sociais.

GT 02

História das coleções e dos processos museológicos nas eras moderna e contemporânea

 

 

Prof. Dr. René Lommez Gomes -

-UFMG

 

Prof. Dr. Paulo César Garcez Marins - - USP – Museu Paulista


Profª. Dr.ª Suzana Tavares de Pinho Pepe -. | – UFRB

Este grupo de trabalho tem por objetivo constituir um espaço para o debate de pesquisas que têm como eixo articulador o estudo dos processos de formação de coleções ou de instituições museológicas das eras moderna e contemporânea; bem como de investigações que abordem a historicidade dos diversos processos museológicos, a exemplo das dinâmicas curatoriais.

O GT tem como propósito fortalecer o debate intelectual em torno das várias vertentes de estudo das condições históricas que levaram ao desenvolvimento das práticas colecionistas e museológicas, do século XVI ao XX. Neste sentido, é seu interesse aprofundar as perspectivas teóricas e metodológicas de investigação histórica dos fenômenos do colecionismo, da musealização, da conservação, da exposição e da interpretação de bens culturais. Para tanto, serão aceitas desde pesquisas calcadas nas formas mais tradicionais de estudo da trajetória de coleções e de instituições museológicas, até análises que colocam em perspectiva a vida social dos objetos; as mudanças de significação das coisas ao serem colecionadas ou musealizadas; o uso de coleções para produção e transmissão do conhecimento em diversos momentos históricos; o trânsito de objetos e coleções entre diferentes culturas, espaços e contextos; ou mesmo a formação de redes de colecionadores e a criação de mercados especializados no atendimento de seus interesses.

Interessam a este grupo trabalhos finalizados ou em andamento que abordem a formação de coleções ou a trajetória de instituições museológicas públicas ou privadas; que reconstituam o papel e a experiência de colecionadores, curadores e outros agentes em processos de montagem, ordenação e documentação, interpretação e exposição de coleções; que analisem a história de surgimento ou transformação de processos museológicos; ou que tracem a história de objetos, tomados de forma individual ou em conjunto, incluindo estudos de procedência de itens de coleções ou biografias de objetos e coleções.

 

GT 03

Museu, Museologia e Educação Museal: práticas, poéticas e políticas decoloniais.

 

Prof.ª Ma. Marcele R. N. Pereira -.. - Universidade Federal de Rondônia – UNIR

 

Prof. Dr. Mario de Souza Chagas -. - UNIRIO.

No contexto do colonialismo, os museus surgem como fenômenos modernos que contribuem com a perpetuação de um sistema de dominação fincado na supremacia de uma ciência ocidental como paradigma único de conhecimentos e também na Europa como símbolo e modelo de progresso e desenvolvimento. No entanto, a museologia e os estudos sobre o patrimônio cultural e a memória, buscam a partir do século XX, romper com esta visão unilateral acerca da produção de conhecimentos, de práticas e teorias universalizantes e passam a considerar como premissa em suas abordagens uma compreensão mais crítica e problematizadora dos diferentes contextos socioculturais com que se dispõem a dialogar. A partir da década de 1970, com forte articulação junto aos movimentos sociais e demandas oriundas de um contexto político que prezava pela liberdade de expressão, o papel social das instituições culturais passa a ser questionado e as práticas museais sociais e comunitárias ganham mais terreno para experimentações. Temos como objetivo reunir trabalhos que dialogam sobre a lógica decolonizadora dos museus a partir de práticas e reflexões que significam alternativas críticas sobre a museologia, os museus, o patrimônio cultural, a educação museal e a memória em suas diversas áreas de aplicação, com destaque para novas abordagens e narrativas que nos permitam pensar em uma decolonização dos museus. De teoria à museografia, de políticas públicas à metodologias de pesquisa, buscamos refletir sobre as dimensões filosóficas, éticas, poéticas, políticas, sociais e econômicas que estão presentes no campo dos museus e da museologia com vistas a buscar respostas para alguns questionamentos, tais como: que reflexões e experiências concretas podem contribuir para o avanço da teoria e da prática decolonial no âmbito dos museus, da museologia, da memória, da educação e do patrimônio? Como contribuir para que os museus e os patrimônios culturais sejam acionados em perspectiva decolonial?

GT 04

A função social dos museus: documentos internacionais e experiências de memória social.

Profª Drª Judite Primo - Universidade Lusófona

 

Ma. Antía Vilela- Doutoranda - UNB – Santiago de Compostela

 

Me. Marcelo Lages Murta - Doutorando

Em 2017 completam-se 45 anos da Mesa Redonda de Santiago e 10 anos da publicação da Declaração de Salvador. Tais documentos figuram como dois dos principais instrumentos normativos internacionais para os museus, com foco em sua função social. Recentemente, em 2015, foi aprovada a nova Recomendação da Unesco, após ampla discussão com base em estudos sobre os seus aspectos museológicos, legais e técnicos1. O documento aprovado possui um apartado específico acerca da função social dos museus, cerne de políticas públicas para o setor. A proposta foi encaminhada pela representação brasileira, com o apoio dos países ibero-americanos e do Programa Ibermuseus, com base em experiências de Museologia Social na Ibero-América. O GT propõe o debate em duas linhas de discussões: trabalhos acerca da efetividade dos programas de cooperação internacional para os museus e horizontes para a cooperação internacional no setor, considerando o cerne social dos três documentos internacionais que se conectam nesse contexto - Santiago (1972), Salvador (2007) e Unesco (2015); experiências práticas de Museologia Social e função social dos museus à luz dos delineamentos desses instrumentos norteadores.

GT 05

A favor dos museus comunitários: reflexões e prática

 

Ma. Camila Moura Alcântara -

- UFPA (PPGA)

 

Helena do Socorro Alves Quadros - - Museu Goeldi

Os museus comunitários surgem de iniciativas comunitárias que partem da salvação do patrimônio reconhecido e legitimado pelas comunidades “esquecidas”, tornando-se caminhos e estratégias de conquistas desses grupos. Resultado do movimento instaurado no fim do século XX conhecido como Nova Museologia, que possibilitou a renovação dos museus por meio de uma larga revisão teórica e metodológica (MOUTINHO 1993; LERSCH e OCAMPO 2004; SEPÚLVEDA 2005; VARINE 2005; DUARTE 2013, CHAGAS e GOUVEIA 2014). Os profissionais de museus adequaram as estruturas museológicas ao condicionamento das sociedades contemporâneas instituindo uma nova forma de se pensar e fazer museus. Em resultado a essas mudanças de pensamento e comportamento museológico surgiram novos museus, tais como: museus de sociedade, museus de civilização, museus de culturas, ecomuseus, museus comunitários, museus de território, museus periféricos; que ganharam força a partir da consolidação do conceito de museu integral. Que por sua vez, se fundamenta na musealização de todo o conjunto patrimonial de um dado território, com ênfase no trabalho comunitário e que possui uma relação direta com o espaço, o tempo e a memória da sociedade representada (SCHEINER 2012). Assim, os museus comunitários são espaços vivos que convocam ação dentro do território musealizado, preocupando-se em atender as expectativas da comunidade representada, valorizando e preservando o que esta reconhece como patrimônio. O presente grupo de trabalho visa debater estas questões a partir dos estudos de caso no contexto brasileiro. Propondo-se apresentar iniciativas comunitárias que refletem e praticam museus além do sentindo comum do termo. E assim, defender a existência desses espaços de transformação, diálogo e construção social. Palavras-chave: Museus Comunitários. Nova Museologia. Patrimônio. Memória. Território.

 

GT 06

Conservação de bens culturais móveis.

Profª Dra. Sue Costa  - UFPA

Profª Me. Silmara Küster de Paula Carvalho -Universidade de Brasília, - UNB

Me. Clara Landim Fritoli, - ARCO (Associação de Restauradores e Conservadores de bens culturais – Curitiba.

Considerando a definição de “Conservação” como as ações de Conservação Preventiva, Conservação Curativa e Restauração, estabelecida pelo International Council of Museums (ICOM-CC, 2008), o Grupo de Trabalho Conservação de Bens Culturais Móveis tem por objetivo divulgar e promover pesquisas sobre conservação aplicada em instituições museológicas, culturais e afins, assim como mediar debates e experiências sobre processos de conservação já realizados ou em curso e que tenham por finalidade a preservação dos acervos institucionais. Vários são os fatores de degradação e muitas são as variáveis que o desencadeiam. Desta forma, a conservação tem a finalidade de prevenir e estabilizar os processos de degradação e manter as condições adequadas dos acervos culturais, visando o acesso seguro às gerações atuais e futuras, respeitando os materiais originais. Assim, a pesquisa é imprescindível para diagnosticar as causas de degradação, reconhecer a tipologia dos materiais que compõe os acervos, assim como verificar quais os meios possíveis à sua permanência. Os temas a serem contemplados por esse Grupo de Trabalho são os aspectos teóricos e práticos da conservação em museus, a pesquisa através da utilização de técnicas e métodos científicos, além de novas tecnologias em conservação.

GT 07

Museologia e patrimônio: discussões sobre as relações de preservação pelas chaves da colonialidade ou do póscolonialismo

 

Prof. Dr. Bruno Brulon Soares. – ICOFOM

 

Luciana Souza – doutoranda – UNIRIO

O objetivo desse GT é convidar para debates e reflexões acerca da produção de conhecimento e das relações profissionais envolvidas nas práticas de preservação do patrimônio – seja no contexto do museu ou fora dele – considerando a geopolítica do saber em Museologia e as formas coloniais de dominação que parecem ainda atravessar as relações materiais e subjetivas dos sujeitos, se fazendo presentes nos museus e nos patrimônios mesmo após a descolonização formal dos territórios. Queremos aqui abrir um espaço de interlocução entre autoras e autores de diferentes continentes para um debate crítico acerca das articulações entre musealidade e expansão conceitual de patrimônio no sistema de produção e circulação de bens simbólicos, tendo em vista os marcos modernos e pós-modernos e outras formas de ser, saber e poder. Incorporar essa discussão no âmbito da Museologia possibilita desenvolver uma reflexão acerca do papel dos museus e dos museólogos enquanto agências e agentes que influenciam leituras e interpretações sobre um mundo marcado pela globalização, pelos processos de austeridade política e fiscal, por processos migratórios, pelas relações raciais, de gênero e sexuais, entre outras questões que pautam a agenda contemporânea. Sendo assim, aqui se propõe colocar em questão elementos da atuação acadêmica e profissional que oferecem indícios de uma hegemonia do Norte Global nas representações sobre o passado e nas ações do presente.

 

GT 08

Coleções e Museus Universitários.

Dr. Maurício Cândido da Silva- Museu de Anatomia Veterinária – USP -

 

Profª. Drª Maria Cistina Oliveira Bruno - Museu de Arqueologia e Etnologia - USP -

 

Com o propósito maior de retomar a organização do Fórum Permanente de Museus Universitários Brasileiros, o presente Grupo de Trabalho propõe ao III SEBRAMUS a reunião e o debate de temas de estudos e pesquisas que envolvam as coleções e os museus universitários brasileiros. Trata-se da criação de um espaço de discussões relacionadas a aspectos da salvaguarda, pesquisa e comunicação de coleções inseridas no contexto universitário – orientado pelo conceito estrutural de ensino, pesquisa e extensão universitária. Essa discussão busca abranger e envolver os diferentes profissionais que atuam com coleções e/ou museus universitários, de instituições públicas e particulares. A retomada do Fórum Permanente de Museus Universitários Brasileiros está baseada na necessidade de manter o legado dessa importante iniciativa originada no começo da década de 1990. Com a finalidade de identificar, reunir e fortalecer os museus e coleções universitárias espalhados pelo Brasil, por meio da construção de processos que buscam envolver a salvaguarda e comunicação desse inestimável patrimônio nacional, com a criação de uma rede de relacionamentos profissionais. Nesse sentido, o propósito de montar um Grupo de Trabalho com o título de ‘Coleções e Museus Universitários’ está baseado na importância em identificar e trocar experiências entre as diferentes realidades museais que envolvem os museus universitários e, a partir daí, estimular o intercâmbio de experiências profissionais museológicas. A organização desse Fórum será em rede, com apoio do ICOM Brasil, do Comitê de Museus e Coleções Universitárias do ICOM (UMAC) e da Universidade de São Paulo. O Grupo de Trabalho dedicado as coleções e museus universitários no III SEBRAMUS busca, desse modo, compartilhar experiências e estabelecer rede de relacionamentos que visa o fortalecimento das instituições envolvidas e estabelecimento de processos de novos fluxos de trabalho.

 

GT 09

Museologia, museus e gênero.

 

 

Profª Ma. .Ana Audebert - UFOP

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Prof. Dra. Camila A. de Moraes Wichers - UFG

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Profª, Ma. Marijara Souza Queiroz UNB -

O Grupo de Trabalho “Museologia, museus e gênero” propõe apresentar e debater a pertinência da categoria gênero para o campo da museologia e dos museus. Ao desvelar as relações de poder assimétricas presentes no sistema sexo-gênero em nossas sociedades percebemos que as diferenças entre mulheres e homens são também construções sociais e culturais. Importa-nos problematizar como os museus tem tratado essa questão, a partir de suas práticas e processos, refletidas à luz de uma museologia crítica. Serão pertinentes trabalhos teóricos bem como relatos de experiências a partir de práticas museais e patrimoniais que pensem sobre gênero e suas interseccionalidades tendo como base o conceito de patriarcado – enquanto sistema social de dominação/opressão – e feminismo – enquanto movimento social e político emancipatório, associados às práticas e processos de musealização e patrimonialização. Neste sentido, serão bem-vindos trabalhos que: Discutam sobre visibilidade/invisibilidade, rupturas, permanências, narrativas e silenciamentos de temas relacionados a gênero e história das mulheres nos museus e na museologia; Investiguem a prática social do colecionismo e das coleções evidenciando o protagonismo e ação das mulheres; Analisem as relações entre pessoas de diferentes gêneros com a cultura material, a memória social e o patrimônio ampliando o olhar para além da dicotomia mulher/homem; Problematizem a questão de gênero e as formas de representações sociais da mulher a partir das interseccionalidades, considerando as adversidades da condição mulher (sertaneja ou urbana, criança, jovem ou idosa, agricultora, operária ou burguesa, negra ou branca); Considerem o recorte de gênero nos estudos e pesquisas sobre formação e atuação profissional no campo dos museus e da museologia; Reflitam sobre os museus e a museologia numa perspectiva descolonizadora e decolonial; Tragam relatos de intervenções museais voltadas a subverter as assimetrias do sistema sexo-gênero.

 

GT 10

Patrimônio, Educação e Museus

 

Profª. Drª Áurea da Paz Pinheiro – Programa de Pós-graduação em Artes, Patrimônio e Museologia da UFPI.

 

Profª. Ma. Ana Rita Antunes - Gabinete da Cultura - Viseu, Portugal

 

Rita de Cássia Moura Carvalho – Doutoranda Universidade de Lisboa, Portugal.

Neste GT buscamos reunir profissionais de museus, educadores e investigadores cujo campo e interesse sejam a educação e a ação cultural em museus, escolas e centros culturais, equipamentos diversos nos quais se realizem interpretação dos patrimônios, exposições etc., promovendo, assim, o papel educativo dos museus. Pretendemos estabelecer diálogos com profissionais que trabalham e investigam as relações ricas e complexas entre Patrimônio, Educação e Museus, campos de saber-fazer que possibilitam reflexões acerca de conceitos, metodologias, estratégias e boas práticas associadas a programas, projetos e ações, que envolvem de forma direta as populações em seus territórios e patrimônios. Neste GT, há possibilidades estudos e intervenções em andamento ou conclusas com destaque para a função social dos museus, as ações educativas, a diversidade cultural, a participação comunitária, o acesso da sociedade às manifestações culturais e ao patrimônio material e imaterial. Esperamos criar um grupo de trabalho onde possamos discutir a missão e vocação dos museus e centros culturais a partir dos programas e projetos de educação e ação cultural que desenvolvem; projetos e ações basilares para a formação de públicos nesses equipamentos culturais, a considerar a natureza das instituições e os anseios dos atores sociais com os quais trabalham; as teorias educacionais e as correntes pedagógicas que melhor refletem sobre as ações dos museus.

 

GT 11

Museus e cultura política

 

 

Prof. Dr. Francisco Sá Barreto UFPE

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Prof. Dr. Hugo Menezes UFPA

 

Prof. Me. Glauber de Lima UFG -

Atualmente, no que concerne às discussões acerca do diálogo entre cultura e política, não é raro verificar intensa presença do debate sobre a cultura tanto em sofisticados mecanismos de gestão da diferença – editais de fomento, festas populares, processos de patrimonialização, patrimônios imateriais etc. –, quanto compreendida como principal instrumento de organização de vida e consumo coletivos de grupos de resistência. Em meio aos debates que envolvem políticas culturais – especialmente pensadas a partir de uma perspectiva dos Estudos Culturais – ganha atenção uma miríade de relações políticas que se constituem entre os aparelhos de cultura e novos projetos de (e para representação da) sociedade. A Museologia, por sua vez, deve participar das referidas discussões localizadas no centro das querelas políticas contemporâneas: projetos de cidade; reconhecimento do Outro – hegemônicos e subalternos; luta por direitos e o debate contemporâneo sobre o sentido do mundo do direito; efeitos do global e suas alternativas – elementos para outras epistemologias. Este Grupo de Trabalho – o qual reedita proposta apresentada no II SEBRAMUS sob o pretexto de construir um espaço perene de discussões das agendas em questão – tem, portanto, como objetivo central, a intenção de pontuar e debater questões sobre as políticas de gestão de cultura por aparelhos culturais, bem como o recurso da cultura enquanto ferramenta de dobra permanente de sentidos e arranjos do social. Desejamos, assim, reunir trabalhos que discutam desde as políticas culturais no Brasil até reflexões críticas sobre lugares comuns do elemento cultural no mundo contemporâneo, tendo o aparelho de cultura como referência, e/ou passando por discussões sobre processos de patrimonialização, museus e políticas da diversidade, políticas de tombamento, projetos de cidade, novas tipologias de museus, elementos para uma teórica museológica crítica e correlatos possíveis, além de estruturar-se, o GT, sobre o lugar geral (e desafiador) de uma reflexão pós-colonial em Museologia.

 

GT 12

Museologia e patrimônio em espaços expandidos

 

 

Profª. Drª Carmen Lúcia Souza da Silva UFPA

 

Profª Drª Rita de Cassia Maia da Silva UFBA

Este grupo de trabalho tem como propósito estabelecer e consolidar uma rede para o diálogo e reflexões sobre experimentos de socialização do patrimônio e concepção de espaços museológicos expandidos através das técnicas e tecnologias da informação e comunicação. São exemplos destas experiências os games digitais e analógicos que dinamizam os museus e o patrimônio, os cibermuseus ou museus digitais, as ações de digitalização e virtualização do patrimônio em 2D e 3D, os ambientes criados na internet com ou sem vínculos com acervos físicos, dispositivos utilizados como recursos expositivos que utilizam Realidade Virtual e/ou Realidade Aumentada, entre outros. Este GT quer trazer e fomentar debates sobre os desdobramentos e interferências destas práticas nas formas de pensar e planejar os processos museológicos: conservação, documentação, exposição e ações culturais educativas. É esperado que sejam estabelecidas discussões sobre a articulação estre estas práticas e as teorizações em Museologia, seus novos e os antigos paradigmas, dando visibilidade e estimulando autores que contribuam para a otimização das investigações neste campo temático. É importante levar em consideração ainda que este é um campo de estudos de caráter interdisciplinar com grandes possibilidades de desenvolvimento e transformação.

 

GT 13

História e Memória dos Museus e da Museologia no Brasil

 

Drª Aline Montenegro Magalhães Museu Histórico Nacional (RJ)

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Me. Henrique de Vasconcelos Cruz -

(MUHNE). Museu do Homem do Nordeste (PE)

O Grupo de Trabalho História e Memória dos Museus e da Museologia no Brasil é dedicado à apresentação de pesquisas finalizadas ou em andamento sobre escritas da história e processos de construção de memórias sobre museus e práticas museológicas levadas a cabo por agentes do campo da Museologia em experiências institucionais, produções científicas, formulação de conceitos, pensamentos, etc., numa abordagem de trajetória individual ou de grupo, de análise institucional e biografia de coleções e objetos museológicos. Dedica-se também à divulgação de trabalhos voltados à cientifização das práticas museológicas e sua institucionalização em cursos de graduação e pós-graduação, privilegiando também uma abordagem de análise institucional, de trajetória individual ou de grupo. Enfim, o GT se constituirá em um espaço de divulgação, reflexão e debates sobre as diferentes contribuições (teóricas, empíricas e acadêmicas), institucionalizadas ou não, individuais e em grupo que constituíram o campo museológico brasileiro e atualmente são objeto de estudos na História, Museologia, Antropologia, Sociologia e outras áreas do saber. Este GT será uma continuidade dos debates iniciados no II Sebramus (Recife, 2015), bem como faz parte das atividades do Grupo de Pesquisa “Escrita da história em museus: objetos, narrativas e temporalidades”, recentemente cadastrado no CNPq.

 

GT 14

Museus e patrimônio cultural universitários: discutindo conceitos e promovendo parcerias e articulações

 

 

Profª Drª Emanuela Sousa Ribeiro UFPE

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Dr. Marcus Granato - MAST

 

Drª Verona Campos Segantini  UFMG

O patrimônio cultural universitário compreende todos aqueles bens, tangíveis e intangíveis, que fazem referência ao sistema de valores, modos de vida e função social das universidades. Trata-se dos bens culturais que fazem referência às práticas e vivências do ensino, da pesquisa e da extensão, em todas as áreas do conhecimento (UNIÃO EUROPEIA, 2005). Em estreita relação com este patrimônio encontra-se o patrimônio cultural da ciência e da tecnologia e o patrimônio do ensino. Trata-se de enfoques que muitas vezes se sobrepõem e que no cotidiano das instituições de ensino superior costumam possuir também estreita relação com os museus universitários e com as coleções científicas musealizadas ou não. Neste cenário, as relações institucionais, as práticas de gestão, e mesmo as questões epistemológicas, ainda carecem de análise e aprofundamento. Desde os anos 1992, quando foi criado no Brasil o Fórum Permanente de Museus Universitários, vêm sendo analisados e debatidos alguns aspectos destas relações, contudo, a paralização parcial deste Fórum e, principalmente, as grandes mudanças ocorridas no cenário universitário nacional, após o programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (2003 - 2012), tornaram necessárias novas análises sobre a natureza destas relações, tanto no âmbito epistemológico quanto das rotinas administrativas e burocráticas do cotidiano das universidades brasileiras. Diante deste quadro, este GT pretende reunir pesquisadores interessados em analisar o patrimônio cultural e os museus no âmbito das universidades, tanto do ponto de vista das experiências de gestão e das práticas cotidianas, quanto na perspectiva das discussões teóricas e sobre a identidade destas instituições, incluindo suas relações com a sociedade.

 

GT 15

Interseções entre a Museologia e a Arte contemporânea

Prof. Dr. John Fletcher – UFPA

 

Profª Ma. Anna Paula da Silva UFBA

 

Profa. Mariela Brazón Hernández Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia - IHAC-UFBA

 

O termo interseção significa cruzamento e unificação de uma área entre vias, utilizamos o termo citado como forma de agregar e acionar reflexões entre pesquisas sobre museologia e arte contemporânea. Neste sentido, o grupo de trabalho visa a constituição de diálogos e debates sobre as teorias e práticas da museologia frente as proposições da arte contemporânea, no que tange as diferentes linguagens na criação de obras a partir das poéticas dos artistas; a produção e a pesquisa da crítica e da história da arte e as relações com os museus; a transgressão das obras em termos de tempo-espaço em instituições museológicas; o registro como narrativa e produção de sentidos na documentação museológica e na comunicação de obras de arte contemporânea, principalmente, obras com caráter imaterial e efêmero; a aquisição de obras de arte contemporânea a partir de salões e prêmios e a curadoria relacional dessas obras com o acervo existente; a recepção do público como aspecto fundamental na experimentação e na construção de narrativas sobre as obras; e a arte contemporânea como dispositivo de mudança nas ações de pesquisa, preservação e comunicação nos museus.

 

GT 16

Patrimônio e memória da alteridade em coleções museológicas de arte e cultura populares

 

Prof. Dr. Ricardo Gomes Lima UERJ

 

Profª Drª Vânia Dolores Estevam de Oliveira UFG -).

 

Este GT tem como proposta congregar trabalhos sobre colecionismo, percursos, estudos de performances culturais e representações artísticas em coleções de museus, com ênfase nos acervos relacionados a expressões de cultura popular. Serão apreciados principalmente, mas não exclusivamente, trabalhos que abordem musealizações de acervos de arte e cultura populares e seus assemelhados, tais como objetos de cultos de matriz africana e de origem indígena, que apresentem aspectos não usuais, ou que causem estranheza no contexto tradicional da formação de coleções museológicas. Interessam-nos trabalhos que abordem os conceitos de arte e cultura populares, com possíveis implicações na política de constituição de acervo e nos sistemas de documentação e conservação das instituições museológicas, a exemplo de objetos que são alterados em sua forma física ao longo de sua trajetória no museu, por serem postos em interação constante com a realidade social circundante, ou por tomarem parte em eventos do calendário festivo das cidades em que se inserem. Interessam-nos igualmente, acervos relacionados a temáticas incomuns ou que levantem questionamentos relativos à patrimonialização, documentação e conservação, em contraposição aos interesses e anseios da sociedade envolvida com o bem em questão. São bem vindos trabalhos de pesquisa e relatos de experiência que subvertem ou põem em discussão a origem e aquisição de acervos de arte e cultura populares que fujam aos padrões tradicionais de constituição das coleções museológicas.

 

GT 17

Museu, Memória e Patrimônio das Culturas Negras

 

 

Prof. Dr. Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha UFBA

-

 

Deborah Silva Santos - UNB Doutoranda

Este Grupo de Trabalho busca contribuir para os debates sobre a preservação da memória e do patrimônio das culturas negras em instituições museais. Causando estranheza, os corpos, coisas e objetos de origem africana sempre tiveram lugar nos acervos dos colecionadores europeus, dando ideia da existência “dos outros”. Transferidos posteriormente para os museus, eles foram classificados como exóticos e bizarros colaborando com a pavimentação de uma história humana hierarquizada e que ajudou a justificar o colonialismo, o escravismo, o racismo e o machismo. Assim, os bens patrimoniais de origem africana e de sua diáspora, foram invisibilizados, colaborando para reforçar o “mito da democracia racial” brasileira, de uma sociedade “quase” toda branca. No entanto, nas últimas décadas, por conta da força dos movimentos sociais cobrando o cumprimento de marcos legais internacionais de ações afirmativas o panorama vem se modificando e vemos ressurgir releituras destes objetos nas instituições tradicionais, bem como o surgimento de experiências museológicas especializadas nas culturas africanas e afro-brasileiras - os ‘museus afro’. Desta forma este GT pretende unir pesquisadores e estudantes em torno do papel da preservação da memória e do patrimônio das culturas negras como estratégia política de combate ao racismo, machismo e de promoção da igualdade racial, apresentando experiências de revisão deste quadro de exclusão.

 

GT 18

Educação e Mediação Cultural em Museus

 

Dr. Jezulino Lúcio Mendes Braga UFMG

 

 

Drª. Elizabeth Aparecida Duque Seabra - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Curso de História.

Este GT propõe-se a reflexão sobre as práticas de memória e aprendizagens sensíveis no uso pedagógico dos museus. Reúne trabalhos voltados à compreensão das potencialidades de aprendizagens nos museus com fios de memória tecidos por disputas simbólicas, em que estão presentes gestos de esquecimento, exercícios de rememoração e intencionalidades educativas. Vincula-se aos estudos que entendem os museus como instituições que propõe uma narrativa memorial constituída na visualização de objetos de cultura material, legendas, focos de luz, totens multimídia, entre outras soluções expográficas. Dessa forma, volta-se a compreensão da educação por meio dos museus que se estabelece na visualização de bens materiais expostos ao olhar que potencializam a aprendizagem sensível da cultura.

GT 19

Entre cenas e narrativas: o uso de novas tecnologias na comunicação museal

 

Me. Hildênia Santos de Oliveira Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore (UFAL)

 

 

Profª Ma. Priscila Maria de Jesus UFS

A concepção de exposições consiste em um processo longo, complexo e criativo, no qual curador ou equipe expositiva criará um ambiente instigante, informativo e capaz de transmitir em seu circuito, uma mensagem pré-determinada. A construção da narrativa expositiva é um processo seletivo, no qual se conceberá uma mensagem por meio de objetos pré-determinados que juntos, transmitem ao público a informação desejada pela instituição ou seus proponentes. É importante ressalta que qual mensagem e como será construída essa relação, são papéis determinantes na construção da narrativa expositiva e, sobretudo, o alcance que a mesma terá. É nesse processo criativo que o uso de recursos cada vez mais tecnológicos, são implementados nos espaços expositivos, como o uso de realidade aumentada, realidade virtual, games, softwares e mecanismos interativos que aproximem e informem o visitante do museu, conectando com as tecnologias que, fazem parte do dia a dia dos seus visitantes e criando um novo canal de comunicação que abarca várias faixas etárias. Assim, o presente GT propõe a discussão de teorias e possibilidades do uso das tecnologias na concepção de exposições, análise de exposições que trazem recursos tecnológicos em seus circuitos expositivos, análise de tecnologias que são utilizadas ou podem vir a serem utilizadas nos ambientes museais e os impactos das mesmas nos processos de recepção e comunicação nos museus.

GT20

Museologia e trabalho em museus: trajetórias, tendências, modelos, formação e papel social

 

Profa. Dra. Carolina Ruoso SECULT-CE

 

Profa. Dra. Manuelina Maria Duarte Cândido UFG -

 

A profissionalização das ações patrimonializadoras foi instituída com a invenção da razão patrimonial. Segundo o historiador Dominique Poulot, foi ao forjar o crime de vandalismo após a Revolução Francesa, que a República passou a outorgar aos intelectuais do Estado o poder de escolher quais bens seriam conservados e quais seriam destruídos. O povo nas ruas e nas praças públicas poderia confiar aos funcionários do Estado esta responsabilidade, pois estes nomeariam em nome da Nação os seus bens patrimoniais. A partir da 2a metade do século XX sucessivas ondas de renovação da Museologia trouxeram impactos diretamente relacionados à participação nos processos curatoriais e de musealização. Estes mecanismos de mudança estiveram associados aos debates relacionados à descolonização e aos processos de redemocratização política, ao mesmo tempo em que também estiveram fortemente atravessados por uma afirmação do consumo de bens culturais pelas grandes massas. As críticas institucionais e a especialização das funções da rede de cooperadores dos mundos dos museus e do patrimônio lançam desafios que se articulam com mudanças conceituais, gerando novos caminhos de formação e exercício profissional. Este Grupo de Trabalho pretende discutir os diversos aspectos relacionando a Museologia com o trabalho em museus: em que suas trajetórias, modelos, práticas e papéis se aproximam e se tensionam.

 

 

 

1 Study on the desirability, scope, rationale and added value of a standard-setting instrument on the protection and promotion of museums and collections (Museological Aspects) e Preliminary Study on the Advisability of Preparing an International Instrument for the Protection and Promotion of Museums and Collections (Legal and Technical Aspects), disponíveis para consulta no website da Unesco.